domingo, 11 de novembro de 2012

Manual de Reciclagem



A reciclagem e coleta seletiva  atualmente tem sido pauta de campanhas políticas, reuniões de condomínio e regras de empresas. Todos sabemos que estamos vivendo uma época sustentável, na qual preservar o ambiente e reaproveitar materiais são a principal aposta para um mundo melhor, mais limpo e vitalício. Mas o que não sabemos ao certo é como separar os materiais recicláveis para que sejam melhores aproveitados.

Além disso, jovens universitários que moram longe dos pais tem de aprender a fazer as atividades domésticas sozinhos. Uma das maiores dificuldades que eles encontram é no momento de separar o lixo.



Partindo desse pressuposto conversei alguns estudantes sobre as principais dúvidas que eles encontram no momento da reciclagem. Em resposta, o ambientalista Diego Pereira Cruz explica.

Laura Dias – estudante de do quarto ano de Direito na Facamp
Todos os objetos, principalmente os de plástico, devem ser higienizados antes de separados para reciclagem. Uma vez em contato com comida, produtos químicos ou bactérias, o material passa a ser inútil e ineficaz para o reaproveitamento.

Marcela Franco – estudante do primeiro ano de Relações Públicas na USP
Embora ainda tenham baixo valor de mercado por serem leves e volumosas, as embalagens de isopor podem ser recicladas junto com os plásticos. As mais comuns, como as embalagens de eletrônicos, são mais aceitas do que as usadas em bandejinhas de alimentos, que devem estar limpas, sem gordura.

Camila Lopes – estudante do terceiro ano de Jornalismo na PUC Campinas
O Bom Bril apesar de possuir “aço” na composição, pode ser considerado lixo orgânico. Após o contato com a água, a palha de aço absorve todos os resquícios de sujeira que impedem a reciclagem.


“Acho interessante abordarmos um outro viés da reciclagem, já que tem sido pauta de tantas outras reportagens. É importante ouvirmos as dúvidas de estudantes que futuramente terão a própria família, pois uma vez o lixo reciclável separado errado perdemos  a chance de reutilizá-lo em muitas outras produções. É educando a nova geração que num futuro o planeta terá maiores chances de aplicar a sustentabilidade” finaliza Diego. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Eternos Tabus


“Não caçamos pretos, no meio da rua, a pauladas, como nos Estados Unidos. Mas fazemos o que talvez seja pior. A vida do preto brasileiro é toda tecida de humilhações. Nós tratamos com uma cordialidade que é o disfarce pusilânime de um desprezo que fermenta em nós, dia e noite”. (Nelson Rodrigues)

Se vivo, este ano  Nelson Rodrigues completaria cem anos. Pernambucano, iniciou a carreira de jornalista em 1925 com treze anos de idade, na editoria de polícia do jornal A Manhã, fundado por seu pai Mário Rodrigues no Rio de Janeiro. Após  experiências como repórter policial, Nelson adquiriu bagagem suficiente para escrever peças teatrais sobre a realidade da sociedade.

Ele colocava em pauta discussões  de elementos morais, como aborto, traição e prostituição e, por causa disso, foi um dos autores brasileiros mais censurados. Apesar de reacionário, como ele próprio afirmava ser, foi revolucionário, devido a estrutura das peças.

Ao contrário do teatro que era feito até então, seu texto relacionava diversos tempos e situações para traduzir uma visão mais dinâmica da realidade, seja ela consciente ou inconsciente. A linguagem viva e coloquial era escrita diretamente para classe média carioca, principalmente do subúrbio. 

 “Curioso espreitar também que os temas abordados por Rodrigues, relativos à questão dos homossexuais, negros e mulheres nas esferas pública e privada, se mantêm atuais na contemporaneidade. Isso indica que o pensamento conservador se vê presente na sociedade, que provavelmente percorreu um processo hereditário”, explica o antropólogo César Siqueira.

O pensamento do autor na época ilustra a frenesi de um intelectual em relação à hipocrisia que passeia na sociedade brasileira até os dias atuais.

Apesar de o Brasil ser um país com quantidade expressiva de analfabetos, o culto e estudioso Nelson Rodrigues conseguiu se relacionar com a maioria a partir da expressão da realidade e fazer com que sua imagem seja lembrada até hoje.

“O modo grosseiro e direto de escrever nos dá a impressão de um homem rígido, mas que no decorrer do texto se transforma em emocional”, explica a socióloga Fátima Antunes, autora do livro Com brasileiro não há quem possa (Editora da Unesp, 2004). E completa: “O autor pode ser considerado uma figura de identidade nacional pela proximidade que tinha com o público, tanto como cronista quanto como dramaturgo.”


Foto: Mayra Cioffi/  Fátima Antunes, em palestra aos alunos da PUC Campinas


Em entrevista ao Portal NE10, Maria Lúcia Rodrigues, filha do autor e doutora em educação pela UFRJ, atualiza os tabus desnudados pela obra do seu pai.