O
Século XXI foi temido por muito tempo pelos religiosos, que acreditavam que no
ano 2000 aconteceria o apocalipse previsto na Bíblia, baseado no calendário
Maia. Previsões catastróficas envolvendo desastres naturais e guerras
imensuráveis foram fielmente acreditadas por muitos líderes, e
consequentemente, divulgados na mídia. Nessa
mesma época, o ano 2000 trazia uma mudança radical para o planeta: a internet
se consolida como comunicação em massa, passando a ser acessível em grande
escala popular.
Ambos
acontecimentos estão diretamente relacionados: religião versus tecnologia. O aumento da comunicação virtual entre os jovens e
a importância que os modernos meios de comunicação ganharam ultimamente mostra
que, para esclarecer as eventuais dúvidas sobre a existência de Deus, não se
procura mais um líder religioso, mas sim o santo Google.
“Acredito que o acesso a novas fontes de informação, como internet e
tevê a cabo são grandes influências para a perda do interesse dos jovens pela
religião”, comenta Daniel Sttomaior, presidente da ATEA (Associação Brasileira
de Ateus e Agnósticos).
A ATEA foi criada em 2008 por
Daniel Sottomaior, Alfredo Spínola e Mauricio Palazzuoli. É uma entidade sem fins lucrativos que surgiu da
necessidade crescente de ateus se organizarem com a finalidade de desenvolver
atividades no campo da ordem social que busquem promover o ateísmo, o
agnosticismo e a laicidade do Estado. Atualmente conta com mais de 5500 associados.
Além disso, “fatores históricos e comportamentais
justificam o desinteresse dos jovens pela religião. No Brasil, até a
proclamação da República, a certidão de batismo emitido pela Igreja Católica valia
como registro civil daquela criança. Quem não tivesse vínculo religioso não era
considerado membro da sociedade”, explica Padre João Batista da PUC Campinas. E continua: “Com o passar do tempo e a separação das instituições da
igreja, os elementos ligados à religião deixaram de ser obrigatórios. As
famílias modernizaram e passaram a encarar a religião como uma opção, e não
obrigação.”
Estas afirmações são baseadas na última pesquisa realizada pelo
Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV) em agosto de
2011, que apontou o crescimento de 3% no número de jovens brasileiros que se
consideram sem religião. Essa pesquisa tomou como base o último CENSO feito
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, que
estipulou os dados a partir de pesquisas de campo.
“Se analisarmos o CENSO do IBGE de 1991 é
possível observar esse aumento dos jovens voltada aos sem religião. O que esses
estudos fazem: eles cruzam dados da faixa etária dos jovens com os dados dos
sem religião e a partir daí surgem os percentuais. Quando se compara o CENSO de
1991 com 2000, o número dos jovens sem religião aumenta 3% e isso é relevante,
já que representa milhares de pessoas”, explica a professora de antropologia
teológica e Especialista em sociologia da religião pela Unicamp, Brenda
Carranza
O
arquiteto Alexandre Medeiros Nader (ouça entrevista), de 27 anos, atualmente não é mais membro da comunidade católica por
acreditar que a religião perdeu o sentido, tornando-se um comércio.
Já
o estudante de jornalismo Clebson Moura Leal (ouça a entrevista) de 22 anos, considera ateu pelo fato da
Bíblia possuir texto polissêmico, já que cresceu em uma família com opção
religiosa oposta.
O desinteresse religioso é conseqüente de diversas razões:
históricas, tecnológicas ou sociais. Atualmente a sociedade
se tornou menos religiosa e que a igreja não é mais considerada como uma
instituição parte do governo. Para alguns jovens, faz mais sentido uma
crença interior e uma interpretação das próprias atitudes livre de moralidades.
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