domingo, 7 de outubro de 2012

Os jovens e o desinteresse pela religião



O Século XXI foi temido por muito tempo pelos religiosos, que acreditavam que no ano 2000 aconteceria o apocalipse previsto na Bíblia, baseado no calendário Maia. Previsões catastróficas envolvendo desastres naturais e guerras imensuráveis foram fielmente acreditadas por muitos líderes, e consequentemente, divulgados na mídia. Nessa mesma época, o ano 2000 trazia uma mudança radical para o planeta: a internet se consolida como comunicação em massa, passando a ser acessível em grande escala popular.

Ambos acontecimentos estão diretamente relacionados: religião versus tecnologia. O aumento da comunicação virtual entre os jovens e a importância que os modernos meios de comunicação ganharam ultimamente mostra que, para esclarecer as eventuais dúvidas sobre a existência de Deus, não se procura mais um líder religioso, mas sim o santo Google.

“Acredito que o acesso a novas fontes de informação, como internet e tevê a cabo são grandes influências para a perda do interesse dos jovens pela religião”, comenta Daniel Sttomaior, presidente da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos).

A ATEA  foi criada em 2008 por Daniel Sottomaior, Alfredo Spínola e Mauricio Palazzuoli.  É uma entidade sem fins lucrativos que surgiu da necessidade crescente de ateus se organizarem com a finalidade de desenvolver atividades no campo da ordem social que busquem promover o ateísmo, o agnosticismo e a laicidade do Estado. Atualmente conta com mais de 5500 associados.

Além disso, “fatores históricos e comportamentais justificam o desinteresse dos jovens pela religião. No Brasil, até a proclamação da República, a certidão de batismo emitido pela Igreja Católica valia como registro civil daquela criança. Quem não tivesse vínculo religioso não era considerado membro da sociedade”, explica Padre João Batista da PUC Campinas. E continua: “Com o passar do tempo e a separação das instituições da igreja, os elementos ligados à religião deixaram de ser obrigatórios. As famílias modernizaram e passaram a encarar a religião como uma opção, e não obrigação.”

Estas afirmações são baseadas na última pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV) em agosto de 2011, que apontou o crescimento de 3% no número de jovens brasileiros que se consideram sem religião. Essa pesquisa tomou como base o último CENSO feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, que estipulou os dados a partir de pesquisas de campo.

 “Se analisarmos o CENSO do IBGE de 1991 é possível observar esse aumento dos jovens voltada aos sem religião. O que esses estudos fazem: eles cruzam dados da faixa etária dos jovens com os dados dos sem religião e a partir daí surgem os percentuais. Quando se compara o CENSO de 1991 com 2000, o número dos jovens sem religião aumenta 3% e isso é relevante, já que representa milhares de pessoas”, explica a professora de antropologia teológica e Especialista em sociologia da religião pela Unicamp, Brenda Carranza

O arquiteto Alexandre Medeiros Nader (ouça entrevista), de 27 anos, atualmente não é mais membro da comunidade católica por acreditar que a religião perdeu o sentido, tornando-se um comércio.

Já o estudante de jornalismo Clebson Moura Leal (ouça a entrevista)  de 22 anos, considera ateu pelo fato da Bíblia possuir texto polissêmico, já que cresceu em uma família com opção religiosa oposta.

O desinteresse religioso é conseqüente de diversas razões: históricas, tecnológicas ou sociais. Atualmente a sociedade se tornou menos religiosa e que a igreja não é mais considerada como uma instituição parte do governo. Para alguns jovens, faz mais sentido uma crença interior e uma interpretação das próprias atitudes livre de moralidades.

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